“Lembra quando eu disse que estava cansada de brigar contigo por besteira? É, eu realmente estava. Mas não tinha percebido que, na real, não eram só brigas. Era afastamento, algo do tipo… Só agora fui ver que você está mais distante do que o que eu imaginava. Então, me explica uma coisa? Por que quando choro por ti, minhas lágrimas são doídas? Falo sério, é dor física. Você sabe que não sou dramática, mas quando elas fogem… Dói tanto. Acho que junta o coração machucado e essa dor meio louca. Eu estava com medo de te perder, mas sei não, viu; acho que isso já tá acontecendo, e eu nem percebi. Você longe, eu sozinha. Você frio, eu inquieta. Desculpa se te magoei, desculpa se não agi como você esperava. É que normalmente eu sou bem idiota mesmo. Mas eu só queria que o “pra sempre”com você funcionasse; nem que fosse a metros de distância, pelo menos sem mágoas. Pelo menos sem um “adeus” fixo, pelo menos sem machucados e lágrimas desnecessárias. O problema é que… O pra sempre não existe. Por mais que eu faça o possível e o impossível pra te deixar ao meu lado, não sou só eu que construo o “nós”. Incrível que há menos de uma semana éramos tão um do outro, né?Mas deixa pra lá. É sempre nesse “deixa” que as coisas ficam. Sempre de lado, sempre fingindo que tá tudo bem. Ei, não tá tudo bem. Eu sei que não, você sabe também. […] Não sou dessas que sofre, mas eu sinto saudade. Saudade do que éramos, do que deixamos de ser, e do que poderíamos estar sendo agora. Saudade dos sorrisos involuntários que você me causava, só por falar algo idiota. Qualquer palavra que saía da tua boca arranjava um jeito de me fazer bem; nem que fosse indiretamente. Agora não é mais assim, né? A gente devia ter feito uma pequena promessa quando nos conhecemos; sabe qual? Devíamos ter prometido nunca ir embora. Nunca deixar o outro… E ao invés de ser a causa das lágrimas, devíamos estar enxugando-as. Devíamos ter prometido nunca nos machucarmos por brigas idiotas ou ausência de palavras. Devíamos realmente ter feito tudo isso, mas olha que incrível… Não fizemos nem a metade. E agora eu não sinto mais nada. Tenho medo de que essa anestesia pare de funcionar; não sei se me entende, é só que eu não quero sofrer. Não quero ficar nessa de chorar por besteira, de ficar te vigiando de longe, sabendo se você está bem apenas por amigos. Eu não quero ficar nessa de estar distante, mas olha que incrível de novo: eu já estou. Já estou longe o suficiente, já nem te sinto mais aqui. […] Me promete uma coisa? Promete que vai ficar bem. Promete que escolheu outra melhor, que ela vai tomar conta de você. Promete que tudo vai ficar certo, pelo menos pra você. Eu não prometo isso de volta, porque não sei se vou cumprir. Mas eu dou um jeito… Sempre dou, né?Lembra como eu sou forte? É. Você costumava ser o meu ponto de fraqueza.E sempre vai ser. Enfim, relaxa; eu sempre finjo que tá tudo bem, não vai doer tanto se eu fingir mais uma vez. Ou pelo menos eu espero que não doa.”

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